São Paulo. Eleições: Todos iguais na inoperância

À exceção da militância exacerbada de companheiros que exaltam Fernando Haddad para fazer o dever de casa exigido pelo Lula; à margem de neoliberais de carteirinha que identificam em José Serra a salvação contra o socialismo do governo Dilma; e deixando de lado certos gaiatos…

Compartilhar – Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa – quinta-feira, 04 de outubro de 2012 | 05:00

… que supõem ser Celso Russomano um novo Jânio Quadros – a imensa maioria do eleitorado paulistano sabe que nada vai mudar, qualquer dos três que se torne prefeito da capital.

O descrédito é geral nos candidatos, incluídos os outros. O cidadão comum vai votar por obrigação ou por hábito, mas sem esperança de que o resultado das urnas venha a interferir em sua vida diária. Vem de longe à decepção com os políticos, sejam do PT, do PSDB, do PRB e das demais legendas.

Essa parece a principal característica das eleições de domingo na maior cidade brasileira. Caem no vazio as promessas de campanha que felizmente desaparecerão das telinhas e dos microfones, sendo hoje o último dia do festival de mentiras. Nada mais parecido com um companheiro do que um tucano ou um simpatizante do azarão que se tornou favorito. São todos iguais na inoperância.

As três correntes em choque interessam tanto quanto a influência das barbas do camarão nas marés do Mar Vermelho.

Sabem, o operário da Vila Maria, o empresário da Avenida Paulista e o escriturário da Zona Central que o vencedor convocará os amigos, ocupará palácios e percorrerá São Paulo em carros oficiais, mas sem influir em seus salários e rendimentos, nem no atendimento nos hospitais públicos, na barafunda do trânsito e na insegurança das ruas.

A distância entre governantes e governados aumenta a cada dia, sendo a capital paulista o melhor exemplo do que acontece nas demais cidades do país. Uns mais honestos, outros menos, nenhum prefeito consegue influir decisivamente na vida de seus habitantes. Como nenhum governador e nenhum… (cala-te boca, que a hora não é essa).

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AINDA DEMORA

Apenas na próxima semana será confirmada a impressão de que José Dirceu, José Genoíno, Delubio Soares e outros companheiros vão parar na cadeia. O relator votou ontem, o revisor vota hoje. A partir de segunda-feira, os demais ministros. A condenação dos mensaleiros tem sido tônica, até agora, parecendo difícil uma reviravolta na reta final do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

Quanto à extensão das penas, é outra história. Alguns irão para prisões fechadas, outros ficarão em regime semi-aberto. Estes obrigados a prestar serviços comunitários, aqueles liberados por razões variadas.

Do que se fala, hoje, é da performance da mais alta corte nacional de justiça. Ela vem cumprindo o seu dever, até pela multiplicidade de concepções entre seus ministros. Parece salutar que seja assim. Agora, se é para o governo continuar indicando representantes de diversas etnias, raças, gêneros e espécies, logo virá a observação de faltarem um jurista japonês, um índio de vasto saber jurídico e um árabe de reputação ilibada.

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INGLESES ENVERGONHADOS

Nada como o tempo para passar e demonstrar a evidência de erros anteriores. Um amigo do repórter, especializado na História dos tempos de Napoleão, extasiou-se com o memorial dedicado ao Imperador, nos Invalides, em Paris, onde repousam seus restos mortais. Uma verdadeira catedral, onde todos cumprem o vaticínio do morto ilustre: “quando eu morrer, o mundo se curvará sobre mim”. Nada mais exato, porque o túmulo fica lá em baixo e quem chega, nas sacadas dos andares superiores, precisa curvar-se para observar.

Ao saber que um milhão de franceses foram para as ruas da capital francesa reverenciar Napoleão, quando da transferência de seu corpo para a capital, nos tempos de Luís Felipe, o jovem entusiasmou-se. Já tinha lido mais de duas centenas dos milhões de livros publicados sobre o Filho da Revolução, que Beethoven, aliás, chamou de Genro da Reação.

Decidiu, nosso candidato a historiador, que deveria visitar Santa Helena, perdida no Atlântico Sul. Afinal, lá Napoleão passara seus últimos anos, até morrer, preso, humilhado e vigiado por soldados ingleses. Mandando-se para Londres, meu amigo foi surpreendido pela interdição. Não há aeroporto e a única forma de chegar na ilha é comprar passagem num cargueiro de suprimentos que, de seis em seis meses, navega para África do Sul e faz escala de quatro dias ao largo dos rochedos. Mesmo assim, só poderia desembarcar conseguindo um visto demorado e complicado, cheio de exigências, uma delas a proibição de levar equipamento cinematográfico. O jovem desistiu, mas procurou saber o porque de tantas restrições. Depois de muito tentar, sem obter respostas, tirou sua conclusão: os ingleses têm vergonha do que fizeram com Napoleão…

Carlos Chagas

Tribuna da Imprensa

 

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