Oriente Médio: a crise volta-se para uma nova guerra

Os foguetes lançados pelo Hamas diretamente contra Tel Aviv evidentemente conduzem a um novo estado de guerra, das muitas que se sucederam na região a partir de 48.

Compartir – Pedro do Coutto – Tribuna da Imprensa – Ares de guerra – domingo, 18 de novembro de 2012 | 07:01

O ataque do Hamas decorreu, por sua vez, da morte, por forças israelenses, de um dos líderes do movimento que se opõe ao governo de Jerusalém e igualmente à Autoridade Nacional Palestina.

Um entrechoque complexo e que novamente ameaça à paz que até hoje nunca chegou a ser totalmente alcança.

Retrato da Faixa de Gaza

Israel revidou aos mísseis e deixou no ar uma grande preocupação ao convocar extraordinariamente 75 mil reservistas. Sinal de que vai tentar uma invasão terrestre.

A Faixa de Gaza passou a deixar de ser o palco para ataques à distância para se tornar num campo aberto ao conflito. Afinal quem vende os mísseis ao Hamas?

Quem os fabrica? São perguntas cujas respostas conduzem à economia atrás das guerras, a conhecida indústria da morte e da mutilação. Essa indústria não sai de cena nunca. Da mesma forma. Os atores do fanatismo e do radicalismo.

Quando entendimentos convergem, mata-se Anwar Sadat, do Egito, Itzak Rabin, de Israel. Claro que as razões do conflito que vem desde a criação do Estado de Israel são mais profundas e complexas.

Tentava-se desde 1910, por iniciativa do primeiro ministro inglês James Balfour, o retorno dos judeus à Palestina, então sob domínio britânico. Fracassaram os entendimentos. A proposta voltava-se para o uso da terra, não sua posse efetiva.

Esta surgiu em 47, através de resolução da ONU, então presidida por Osvaldo Aranha.

A proposta terminou sendo incompleta no conteúdo porque a previsão de se criar dois estados não se consumou. Os desentendimentos tiveram curso com a guerra de 48, a de 52, a invasão do Canal de Suez por forças israelenses, francesas e inglesas em 56, quando o mundo esteve à beira do abismo porque poucos dias depois a antiga União Soviética invadiu e massacrou a Hungria, que começava a divergir do comunismo ortodoxo.

Os Estados Unidos condenaram as duas ações, mas um episódio consolidaria a uma divisão de poder no mundo. Mas estas são outras questões.

O essencial, novamente agora, é o acirramento da luta na região já conflagrada pela guerra civil na Síria. E também pelo incentivo do Irã a qualquer ação voltada contra Israel.

Da mesma forma que se condena as ações israelenses na faixa de Gaza contra os palestinos, não se pode aceitar a tese da destruição de um país, tese de Mahmoud Ahmadinejad, réplica da levantada por Gamal Abdel Nasser, então presidente do Egito, ao desencadear a guerra dos seis dias em junho de 67.

Esta foi inclusive a que propiciou a retomada de Jerusalém por Israel, que a tornou sua capital, substituindo Tel Aviv.

Espaços foram conquistados como a ocupação das colinas sírias de Golan, ponto estratégico, pois de lá partiam ataques ao território israelense.

Em 72, Anwar Sadat, dirigente do Egito, atacou Israel e alcançou relativo sucesso, retomando, por acordo em seguida, parte de seu território. Mas a fonte principal de pressão foi o petróleo, cujo barril custava 2 dólares.

Passou logo para 20 e hoje chegou a 100. O Oriente Médio mudou a economia mundial. Hoje, no entanto, o Egito, sob o comando de Mohamed Mursi, procura Barak Obama buscando uma solução de emergência.

Todos os chefes de estado culpam o Hamas pela recente explosão numa fronteira, cuja segurança foi ultrapassada. Pode ser um compromisso, mas, no fundo, os dois lados não conseguem se eximir da responsabilidade maior.

Pedro do Coutto 

Tribuna da Imprensa

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