Brasil: PF indicia mulher de Cachoeira por tentar corromper juiz

Andressa teria constrangido juiz que prendeu seu marido para conseguir sua soltura

A Polícia Federal indiciou Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, sob suspeita de corrupção ativa. O despacho de indiciamento é de setembro e a acusação se refere à denúncia feita pelo juiz Alderico Rocha dos Santos – responsável pela ação penal da Operação Monte Carlo, que culminou na prisão do bicheiro – que relatou ter sido constrangido por Andressa, no dia 26 de julho, na tentativa de conseguir a revogação da prisão preventiva do companheiro.

Compartilhar – Jornal do Brasil – Portal Terra – Cachoeira – 24.11.12 – 11h14

De acordo com o documento, “o ato criminoso tinha como objetivo favorecer Carlos Augusto de Almeida Ramos mediante a sua soltura”. Segundo o relatório, Andressa anotou em um pedaço de papel o nome de pessoas que estariam com um suposto dossiê montado por Cachoeira com informações contra o juiz. O documento só não seria divulgado caso o magistrado determinasse a libertação do empresário. As informações são do jornal Folha de S.Paulo

Além do juiz, a PF ouviu uma funcionária da Justiça que presenciou o início da conversa entre os dois. Um exame da letra no papel entregue a Alderico concluiu que não havia “sinais indicativos de que tais manuscritos questionados tenham sido produzidos por outro punho que não o de Andressa Alves Mendonça”.

A PF diz que Andressa teve acesso a informações sobre o juiz Alderico que não estavam disponíveis em fontes de consulta aberta.

Para a polícia, “resta claro” que alguém repassou as informações a ela. Andressa visitou Cachoeira no presídio da Papuda, em Brasília, na véspera da audiência com o magistrado.

O relatório e o despacho de indiciamento da PF foram enviados ao Ministério Público Federal, que poderá denunciar Andressa à Justiça, o que não ocorreu ainda porque a Promotoria aguarda o fim das perícias feitas pela PF no computador dela.

Mesmo não tendo oferecido dinheiro ao juiz, a PF considerou que a “vantagem indevida” estava caracterizada pela proposta de não divulgar o suposto dossiê em troca da liberdade de Cachoeira, por isso a acusação de corrupção ativa.

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina.

O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado.

Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador.

O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira.

O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro.

O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano.

Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

Portal Terra

Jornal do Brasil

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