Brasil: Em pleno Natal de 2012, a única data imaginada e desejada é 2014

por Helio Fernándes – Tribuna da Imprensa – Compartilhar

A República nasceu militar, militarista e militarizada, praticamente sem oportunidade para os civis. Deodoro e Floriano, que vieram brigados da estranha Guerra do Paraguai, apaixonados por Dom Pedro II, traíram o Imperador e a República. Ficaram com o Poder para eles.

Os dois altamente ambiciosos e dominados pela mais destruidora egolatria, brigaram rapidamente. Deodoro era o número 1 e Floriano o número 2, mas este, além de vice era Ministro da Guerra e a superioridade das armas transformou-o de número 2 para número 1, não respeitada nem a Constituição.

Floriano ficou no Poder inconstitucionalmente, ameaçou Rui Barbosa (que não se rendeu), intimidou o Supremo (que se ocultou no silêncio e na subserviência), só tratou dele mesmo e da permanência na presidência. (Ainda não no Catete e sim no belíssimo Palácio Itamaraty, então na Rua Larga, perto da Central do Brasil e do Ministério da Guerra.

O tempo passou, os políticos se entenderam, decidiram: o substituto de Floriano seria o presidente do Senado, Prudente de Moraes. Naquela época, a eleição era em março, a posse em novembro. Mesmo com Prudente já eleito, Floriano se julgava eterno, não providenciou coisa alguma para transmissão do cargo (o que Figueiredo repetiria com Sarney).

A posse ocorreu no dia 15, em pleno verão. Prudente (e os ministros) de casaca, num tilbury (Ford lançou seu primeiro carro nesse mesmo 1894, o que fazer?), suava desesperadamente, Floriano nem apareceu. Mas houve a transmissão do cargo, coisa que não haveria com muita freqüência.

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2012 E 2014

Cortemos rapidamente, deixemos de lado as eleições fraudadas e a “nenhuma” eleição (nas duas ou três ditaduras), passemos para hoje, 2012, com toda cara de amanhã, 2014 ou até 2018. Cronologicamente, faltam dois anos. Para alguns, muito menos, por causa da desincompatibilização.

Excluindo Lula e Dona Dilma, muitos precisam deixar os cargos que ocupam, um problema. Só que problemão mesmo é a existência e o domínio de um partido. Candidatos praticamente deles mesmos, são vários, como também são vários os candidatos dentro de um mesmo partido. E outros, que pela pouca idade, pretendem se lançar em 2014, mas tendo 2018 como objetivo.

Examinemos os candidatos, pela ordem de entrada (no Poder), por já terem partido garantido, não precisarem de desincompatibilização, e por terem apreço e consideração pelo Poder. Só quem tem tudo isso é Dona Dilma, e pela soma dos fatores é colocada aparentemente como favorita.

Não faz um grande governo, mas quem é que faz, procurando estado por estado, e até no Congresso? Na República, os presidentes (exatamente como nos EUA) vinham do Senado. Hoje, senadores brigam pelo 14º e 15º salário, e aceitam até a vice-presidência da “casa”, por causa dos holofotes.

Dona Dilma não pode garantir a permanência por mais 4 anos, por causa da imprevisibilidade do tempo. Que aconteceu a favor dela com o câncer de Lula. Se este, mesmo doente, não se define, o que dizer se não tivesse tido o obstáculo médico?

Dona Dilma já entrou como os economistas, no caminho das adivinhações. Estes, em janeiro, falam sobre inflação, crescimento, consumo, mas vão se desdizendo com o passar do tempo. Vejam o que aconteceu em 2012. A inflação muito mais alta do que a prevista, o desenvolvimento (PIB) tão pequeno, Nossa Senhora.

Dona Dilma já saiu na frente dos economistas oficiais: “Em 2013 teremos um PIBÃO GRANDÃO”. Depende da sua definição de “Pibão”. Repetir o “Pibinho”, tragédia nacional. E pessoal.

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Os Outros

Eduardo Campos vem a seguir, não pelo excesso de credenciais, mas pela coincidência de fatores positivos, não para ganhar, mas para concorrer. Moço, com o partido garantido, só tem dois objetivos para 2014. A vice com a própria Dilma (tipo megasena) ou a presidência contra a presidente Dilma. A vice, só passando pelo cadáver do PMDB, que detesta a presidência, tem paixão pela vice.

Concorrendo ao grande prêmio agora, Campos sabe que não ganha, mas acha que fica na vez para 2018. Ora se é difícil uma análise para 2014, o que dizer para 2018? Nas duas hipóteses, Campos terá que deixar o cargo em março de 2014, perde enormes possibilidades de eleger o sucessor. Frase nada enigmática, mas esdrúxula do governador de Pernambuco:

“Estou firme com a presidente Dilma para 2014, mas depende de 2013”. Que República.

O PSDB tem ambições, faltam candidatos. Muito antes dos 50 anos, Aécio Neves era favoritíssimo. Presidente da Câmara, duas vezes governador, senador, foi deixando pelo caminho as certezas e esperanças.

Tem o apoio de FHC, quase nada, e a inimizade de Serra, quase tudo. Este articula (ou sonha articular) a segunda campanha presidencial de Alckmin. Não é por amor ao atual governador, mas sim pela vontade de ser novamente governador. Em se tratando de Serra, tudo é possível ou impossível. FHC suspira entre amigos: “Se eu tivesse menos 6 ou 7 anos, voltaria triunfante”. Ha!Ha!Ha!

Dona Marina não tem partido, diz: “Vou fundar o meu”. Mas quando? E como? Com que apoios? A ex-ministra baseia todo o otimismo num passado, presente e futuro, rigorosamente equivocado.

No finalzinho da eleição de 2010, entre Dilma e Serra, os descrentes, desanimados e desesperançados despejaram os votos obrigatórios em Dona Marina.

Chegaram a quase 20 milhões, que ela registrou em seu nome. De 2010 até agora, passa regularmente pelo cartório eleitoral. Os votos, segundo ela, continuam e são facilmente transferíveis. Uma pena que não sejam, nem o partido conseguirão fundar.

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PS – Deixei Joaquim Barbosa e Lula para o fim, pelo tamanho das impossibilidades. Acho que Joaquim Barbosa não cometerá o ato insensato de trocar tudo pelo quase nada. Tenho a impressão de que, além da passagem pelo STF, gostará de atravessar a História como “o homem que não quis a presidência”. Quem irá desmenti-lo?

PS2 – Lula é o contrário, quer praticamente tudo. Teve o obstáculo não previsível da doença, que abalou seus alicerces. Mas sua carreira não está encerrada, longe disso.

PS3 – Como elegeu o poste Fernando Haddad, se olha no espelho, vê um poste crescendo diante de si mesmo. E como mora em São Paulo, desenha na imaginação uma eleição que lhe daria um cargo altamente cobiçado: governador de São Paulo. Com isso, mais a prefeitura e a reeleição de Dona Dilma, começará a pensar em 2018.

PS4 – Afinal, estará apenas com 72 anos, nenhum adversário dentro do PT. E pode proclamar: “Meu nome é Luiz Inácio Lula da Silva, e quem impõe meus limites sou eu mesmo”. Podem não acreditar, mas como desacreditar?

Compartilhar – Helio Fernándes – Tribuna da imprensa – quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 – 05:05

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