Brasil, Os dez anos do PT no poder: conservar ou reformar

Pedro do Coutto – Tribuna da Imprensa – Compartilhar

Deve naturalmente provocar reações diversas, dento do PT, a entrevista do governador Tarso Genro ao repórter Marcelo Remígio, publicada no O Globo de segunda-feira 14. Formulou uma crítica à legenda, na qual se inclui como ex-deputado federal e ministro da Justiça.

 São dez anos no poder e Tarso Genro, falando de modo geral, disse que o Partido utilizou métodos de partidos que criticamos. Incluiu Lula, portanto, eleito em 2002 e reeleito em 2006.

Comparando-se os períodos, vemos que as restrições colocadas referem-se menos à presidente Dilma Rousseff, que completou apenas o segundo na de seu mandato.

Os métodos apontados expõem mais do que um balanço entre conservadorismo e reformismo. Essa dualidade acompanha o poder. Na oposição, o comportamento é sempre outro. As críticas são fortes, os protestos freqüentes e intensos.

É o papel de quem acusa, combate, confronta.

No poder, a linguagem e o comportamento mudam. A relatividade termina se impondo e sonhos reformistas evaporam no horizonte da realidade.

Aliás, por falar em horizonte, como disse meu amigo Humberto Braga em um de seus últimos artigos, ele é inatingível concretamente. E paisagem não representa um limite, tampouco pode significar uma meta.

Pode ser uma utopia, mas que seria do mundo não existissem utopias e sonhadores.

Sonho e Poder

O sonho faz parte da luta pelo poder. Na onda contrária ao sistema estabelecido, tudo se torna factível, não difícil de atingir.

A começar pela redistribuição de renda, forte nota musical própria da posição de reforma, fonte, aliás, de quaisquer mudanças sociais. Mas realizá-la é que é difícil.

Não depende só do conceito de estado, do poder do governo por mais forte e aplaudido que seja como foi o caso do período Luiz Inácio da Silva, como é o caso da administração Dilma Rousseff.

É necessário que haja – aí o problema – alguma transferência de renda do capital para o trabalho. Pelo menos que os salários vençam, por pequena margem que seja, a corrida contra os preços.

Esta inclusive é a maneira mais efetiva de ampliar o mercado interno. De incentivar o comércio e a indústria. De alargar o mercado de trabalho.

Aliás, a pesquisa publicada domingo pelo Globo a respeito do programa Bolsa Família considerou acertadamente, por ampla maioria, a importância essencial do emprego no lugar da subvenção social através dos recursos estatais.

Não quero com isso condenar o Bolsa Família. Ele é extremamente importante, é maior do que os defeitos que possa apresentar. Inclusive depois de implantado, torna-se efetivo.

As famílias podem variar, se conseguirem atingir um patamar de renda capaz de efetivamente libertá-las da pobreza extrema. Como o programa é irreversível, fiscalização maior certamente se impõe.

Controle mais social do que político, embora como no mundo inteiro a política esteja presente em tudo.

Integra o comportamento humano.

Mas há limites. O governador do Rio Grande do Sul, de fato, condenou a ultrapassagem desses limites, como no caso do processo do mensalão.

Acentuou que as manobras clássicas são conservadoras. Ser reformista não é tentar ser revolucionário. O que representa sair da realidade.

Ser reformista é também uma questão de ética. Para Genro, a ética desapareceu de alguns endereços partidários. Foi o que ele pensou e quis dizer.

Compartilhar – Pedro do Coutto – Tribuna da Imprensa – Tarso Genro – quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 – 09:27

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