Brasil: A corrupção solidária e sem memória, que não torna ninguém inelegível.

Helio Fernandes – Tribuna da Imprensa – Compartilhar

Não adiantam as denúncias, as acusações das ex-mulheres revoltadas e cheias de provas, os milhões arrecadados sempre em cargos públicos, a exibição sem constrangimento do enriquecimento ilícito, o acúmulo de bens, sem jamais terem trabalhado.

(Lógico, função pública ou política não é “trabalho”, na definição própria da palavra e da remuneração).

 Podem dizer que isso acontece no mundo inteiro, e é verdade, mas não existe impunidade tão grande quanto no Brasil, excetuado o julgamento do mensalão. O cidadão-contribuinte-eleitor, qualquer que seja o seu idioma ou o seu país, contribui para que esses corruptos se eternizem no Poder, eleitos e reeleitos.

Dona Kirchner, sem liderança, carisma ou credenciais, ganhou o Poder por causa do marido. Morto ele, se reelegeu sozinha. Continua insignificante, com um inacreditável enriquecimento ilícito e astronômico. Agora denunciado por cidadãos da outrora orgulhosa Argentina.

E já falam que tentará o terceiro mandato. Não pode, o também corrupto Menem (lá mesmo) tentou e não conseguiu. Mas exibe a fortuna embriagadora e consagradora. Dona Kirchner tentará e conseguirá, quem irá impedi-la? A Constituição?

Berlusconi, o maior corrupto do mundo (título que conquistou e merece) está tentando voltar a ser primeiro-ministro da Itália. Se não ganhar, terá votos suficientes para ser Ministro da Fazenda. Responde a 10 processos há anos e anos, continua livre e elegível.

ALGUNS CORRUPTOS DO BRASIL E
A SOLIDARIEDADE QUE NÃO FALTA

No momento não podemos esquecer Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha, pelo passado e o fato de disputarem os cargos mais importantes do Congresso.

Henrique Eduardo Alves, assustado com a montanha de denúncias e sentindo que não enganava ninguém, mudou de tática. Veio a público, confessou uma parte da falta de ética: “Sou um cidadão normal, cometo erros”. Entre esses “erros”, a evasão de dinheiro, o depósito de 15 milhões em paraísos fiscais, tudo documentado pela ex-mulher, que com a denúncia garantiu o futuro, não dele mas dela.

Em campanha, foi recebido pelos governadores Alckmin, Anastasia, Cabral. De São Paulo, Minas e Estado do Rio. Tirando Cabral, os outros não sofrem acusações aviltantes nem são ligados a Cavendish.

Mas como “Henriquinho” é apoiado por Dona Dilma, pensam (?) coletivamente: “Ele vai se eleger mesmo, podemos precisar de um intermediário para o Planalto”.

Mostrei aqui, sem receio de desmentido: Eduardo Alves foi candidato derrotado duas vezes para prefeito de Natal. Não se candidatou a governador por não ter voto. Aqui mesmo estranharam: “Como não tem voto, se é deputado há mais de 40 anos?”.

O descaminho de votos para deputado é mais fácil, o eleitor não liga. Luftalla Maluf, que veio a público “defender Henriquinho”, tem quantas dezenas de mandatos de deputado?

RENAN E EDUARDO CUNHA
TÊM OUTRAS ESTRATÉGIAS

Mais esperto e cauteloso, o ex-presidente do Senado, que renunciou para não ser cassado, quer evitar a cassação antecipada, isto é, não ser eleito.

Sabe que, se exibir muito poder, desperta inveja e ciúme, trabalha em silêncio. Basta o apoio de Dona Dilma e do vice Michel Temer, o resto consegue no aconchego (que palavra) do Senado.

Eduardo Cunha, líder dos lobistas, se garante com eles, tem muito a oferecer, eles a receberem.

E confiam uns nos outros. Dos três, ninguém corre perigo. Mas o mais garantido é o próprio Cunha, protegido e favorecido pelo grupo do “fuzil”, não o que atira, mas o que tira.

DE PASSAGEM, NEWTON CARDOSO,
O MAIS ENRIQUECIDO EM CARGOS

Foi prefeito da importante cidade de Contagem, na chamada “Grande BH”. Eleito, reeleito, voltou, saiu para ser governador. A mesma coisa que eu disse de Dona Kirchner, é vulgar, deselegante, analfabeto, péssimo de ética e de estética.

Mas engana a todos, até mesmo a Receita Federal. Suas declarações ficam sempre abaixo do que apregoa e exibe.

Logo depois de deixar o governo de um estado poderoso como Mina teve que se divorciar da mulher.

Um desastre que deveria ser moral, mas foi apenas minimamente financeiro.

Sua declaração à Receita ficou dezenas de andares abaixo da verdadeira.

Sua confissão à Receita não ultrapassa algumas dezenas de milhões, a ex-mulher, pública e despudoradamente, afirmou: “Os bens de Newton Cardoso ultrapassam os 2 bilhões e 500 milhões”. Isso numa época em que o bilhão não era citado com tanta facilidade quanto hoje.

Entramos na era do trilhão, que “Newtão” teria atingido se não tivesse abandonado a vida pública.

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PS – Em 1998, eu estava em Paris, na Copa do Mundo. Ia almoçar no Bar do Teatro com um amigo que mora lá. Andamos na importante avenida, paramos, ele me mostrou um edifício luxuoso, afirmou perguntando: “Sabe quem tem apartamento nesse edifício? Newton Cardoso”.

PS2 – Para o claro e preclaro Bortolotto, que estranhou o fato de eu ser a favor do cidadão ter um revólver em casa, para “circunstâncias eventuais”, sendo contra armas.

PS3 – No fim do texto, eu terminava dizendo: “Sou a favor dessa arma defensiva em casa, mas não tenho, não uso nem pratico”. Essa confissão foi “devorada”, ficou a impressão da contradição.

Minha arma sempre foi a palavra falada e a palavra escrita. A primeira me tiraram logo, a segunda resistiu mais tempo, mas não tanto quanto eu gostaria e seria necessária.

PS4 – O suíço Wawrinka não merecia ter sido derrotado ontem pelo sérvio Djokovic. Este é o número 1 do mundo, mas tão pretensioso e presunçoso quanto Luiz Felipe Scolari. Foram 5 horas e 2 minutos de jogo, 5 sets, 75 games. O jogo acabou em Melbourne, faltando 10 minutos para as duas da madrugada. O estádio lotado (14 mil e 600 lugares), ninguém foi embora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A frase do Helio foi “devorada” porque ele a datilografou bem no finalzinho da lauda, e os aparelhos de fax costumam “não ler” a parte inferior das páginas transmitidas. Se após a postagem Helio tivesse me pedido para acrescentar essa frase, é claro que eu o teria feito prazerosamente. Aliás, também defendo a arma defensiva em casa e tenho um revólver Taurus, registrado em meu nome, adquirido na antiga loja Mesbla. É calibre 38, cano curto, com tambor para cinco balas. (C. N.)

Compartilhar – Helio Fernandes – Tribuna da Imprensa – Corrupção solidária – segunda-feira, 21 de janeiro de 2013 – 05:24

 

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